Aluno de escola pública de Rondônia conquista medalha de ouro e é classificado para Jornada Espacial em São Paulo

escola-marcelo-candia_concurso-de-redacao_09-11-16_foto_daiane-mendonca-3

O estudante Antônio Júnior representará Rondônia na Jornada Espacial deste ano

Antônio Marcos Barbosa Júnior é aluno da Escola Estadual Marcelo Cândia, em Porto Velho, e conseguiu medalha de ouro na 19ª Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica (OBA) realizada neste ano, o que rendeu o convite para participar da XIV Jornada Espacial programada para acontecer entre os dias 4 e 10 de dezembro, em São José dos Campos (SP).

‘‘Durante a Jornada Espacial terei contato com outras pessoas que têm o mesmo sonho que eu. Eu entendi que essa é uma oportunidade que pode me levar além do que eu imaginava. Eu sei que a competição é de alto nível, mas estou confiante, tenho estudado muito’’, contou.

A Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica testa o conhecimento de estudantes de escolas públicas e privadas de todo o País. Na edição deste ano, cerca de 800 mil estudantes participaram da competição. Com pontuação de 8,25 pontos na prova, o estudante de Rondônia garantiu colocação entre os mil melhores resultados na Olimpíada. Antônio ainda passou por mais duas provas ficando entre os 100 classificados e, agora, entre as 50 melhores notas.

A expectativa é que durante a XIV Jornada Espacial Antônio fique entre os cinco colocados e participe da etapa internacional da competição. Para o professor de física, Antônio de Moura Fé, esta é uma conquista possível. Na escola onde leciona e na qual Antônio Júnior estuda, a Escola Estadual Marcelo Cândia, do Instituto Internacional das Irmãs de Santa Marcelina, há um histórico de bons resultados na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica.

 

“Eu entendi que essa é uma oportunidade que pode me levar além do que eu imaginava. Eu sei que a competição é de alto nível, mas estou confiante, tenho estudado muito.” Antônio Júnio, estudante.

 

RONDÔNIA

Em Rondônia, apenas cinco estudantes conseguiram classificação na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica deste ano. Antônio Júnior enfrentou uma disputa acirrada que começou na própria escola. O nível da competição na escola Marcelo Cândia é alto. Este ano, além da medalha de ouro de Antônio, outro estudante do Ensino Médio conquistou bronze. No Ensino Fundamental, teve uma medalha de ouro, outra de prata e duas de bronze.

Mas a história da participação da escola na competição, segundo o professor Moura Fé, começou através do aspecto lúdico. Foi a Jornada de Foguetes que despertou o interesse dos estudantes. A competição, assim como a Olimpíada, é realizada pela Sociedade Astronômica Brasileira (SAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB). ‘‘Porque tem muitos experimentos e então entramos na competição para despertar a atenção dos alunos com relação ao conteúdo aeroespacial’’, disse.

Um aspecto curioso da escola é que o primeiro destaque no evento veio em 2009, quando os alunos tiveram um bom desempenho em uma dinâmica que classificava os estudantes que fizessem a melhor logomarca da competição.  ‘‘Em 2010, nas provas, nós conseguimos boas notas. E em 2012 ficamos em segundo lugar, perdemos para o Santa Marcelina do Distrito Federal’’, lembrou o professor.

MOTIVAÇÃO

No laboratório de física da escola, o professor mostra mais uma conquista dos estudantes na Olimpíada, um telescópio. ‘‘Esse telescópio foi conquistado em uma competição que ocorreu no Barra do Piraí (RJ), em decorrência de termos superado os 200 metros de alcance com o foguete’’, revelou.

O aluno que se destacou na disputa ganhou um notebook e uma bolsa de estudos na Universidade Federal do Ceará (UFCE).

Seja na Jornada de Foguetes ou na Jornada Espacial, os alunos têm conquistado medalhas para Rondônia. O professor incentiva os alunos a estarem na competição por acreditar que essa é uma oportunidade de conquistar sonhos através dos estudos. ‘‘O Antônio conseguiu ficar entre os 50, e a probabilidade dele voltar da Jornada Espacial com uma bolsa de estudos é quase 100%. A gente só precisa estar lá’’, garante o professor, que torce para que o aluno consiga a passagem aérea para participar da competição.

Professor há mais de duas décadas, Moura Fé disse que a recompensa como educador é ver os estudantes tendo destaque na competição e levando o conhecimento aprendido em sala de aula para o mercado de trabalho. ‘‘Nós temos notícia de estudantes que devido à participação nessas competições escolheram fazer engenharia elétrica, para nós é uma satisfação’’, considera.

Escola tem histórico de medalhas nas competições aeroespaciais

Escola tem histórico de medalhas em  competições aeroespaciais

SUPERAÇÃO

Os resultados alcançados são frutos de um trabalho incansável de incentivo para que os alunos entendam a importância da física. ‘‘Existia uma resistência, mas a gente começou a trabalhar com vídeos e manipulação de materiais’’, contou o professor, que dedica até os finais de semana para que os alunos reforcem o conhecimento sobre conteúdo aeroespacial.

Hoje, os próprios estudantes que de destacam na competição servem de incentivo para que os demais alunos também conquistem medalhas.

‘‘Por isso fico triste quando por falta de apoio o aluno não consegue sair para participar da competição’’, citou o professor que teme que os esforços para manter os alunos motivados sejam frustrados. Para o professor, além do incentivo do governo, os estudantes também precisam do apoio da família para conquistarem vitórias em competições como essa. Para ele, ter um aluno da rede pública de Rondônia entre os finalistas da competição é uma prova de que é possível alcançar qualquer objetivo, se o aluno se esforçar para isso.

Prova disso é o próprio estudante Antônio Júnior. ‘‘Ele é um aluno que sempre teve boas notas em física e matemática. Na primeira vez que ele participou ele ficou na média, da segunda vez, melhorou um pouco e desta vez ele me procurou interessado em melhorar a performance dele na Olimpíada, e eu apontei para ele os sites com conteúdos que o ajudariam a entender mais sobre o assunto. Então quando saiu a nota, para mim não foi surpresa que ele tinha conseguido a classificação, mas ele não acreditou. Ficou muito feliz’’, ponderou o professor.

RESULTADO

Antônio Júnior conta que desde o Ensino Fundamental ele já havia despertado o interesse por conteúdos de física e matemática através do incentivo de um professor, mas foi só quando chegou à escola Marcelo Cândia, no 1° ano do Ensino Médio, que encontrou por meio do estímulo do professor Moura Fé o ”empurrãozinho” que faltava para intensificar o interesse pelo conteúdo aeroespacial. ‘‘Fico até sem palavras para falar do professor Moura. Ele instiga os alunos a quererem apreender mais’’, destaca o estudante. As participações na Olimpíada fez Antônio querer enxergar que a educação é a ponte para alcançar os objetivos. ‘‘Quero ser engenheiro aeroespacial ou físico’’, garante o aluno que ver na Jornada Espacial uma oportunidade para tornar o sonho uma realidade.

Professor Moura Fé é considerado o incentivador dos estudantes

Professor Moura Fé é considerado o incentivador dos estudantes

O estudante afirma que ainda há muita resistência dos colegas em relação a física e aponta o caminho para superar isso. ‘‘Há um misticismo que envolve física e química de ser difícil de compreender, mas quanto mais a gente busca conhecimento, e se aprofunda no conteúdo, compreendemos a importância’’.

O professor Moura Fé aponta que o conteúdo fica mais fácil de ser compreendido quando o aluno compreende que a física está presente em nosso cotidiano. “Para que os celulares funcionem, é preciso aplicar princípios da física, assim também como os exames médicos de alta complexabilidade, na meteorologia, engenharia, agronomia, estudar física não é apenas para ser professor”, exemplificou Moura Fé.

Quanto ao fato de ser um aluno de escola pública concorrendo com estudantes da rede particular, Antônio afirma que ‘‘ a única diferença é a estrutura, mas é o aluno que faz o  próprio futuro’’. E ele dá dicas para quem quer uma boa classificação na Olimpíada. ‘‘Estudem as provas anteriores. As provas mudam, mas o padrão é o mesmo. Busquem mais conhecimento na página da Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica”, conta o estudante que viu na educação a chance de mudar a própria história.